<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>nefproducoes &#8211; Helena DeLuca</title>
	<atom:link href="https://www.helenadeluca.art.br/author/nefproducoes/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://www.helenadeluca.art.br</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Sat, 05 Apr 2025 15:45:21 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.1.3</generator>

<image>
	<url>https://www.helenadeluca.art.br/wp-content/uploads/2024/10/favicon.png</url>
	<title>nefproducoes &#8211; Helena DeLuca</title>
	<link>https://www.helenadeluca.art.br</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Tiziu</title>
		<link>https://www.helenadeluca.art.br/tiziu/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[nefproducoes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Feb 2025 20:01:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.helenadeluca.art.br/?p=300</guid>

					<description><![CDATA[Uma parte pequena da minha vida foi no interior de São Paulo. Lá fiz amigos, vivi uma vida saudável, tive vários trabalhos e ia trabalhar de bicicleta. O lugar era perfeito, rodeado de natureza, verde, pássaros, alunos acolhedores, chefe incrível, colegas simpáticas, sonhos. Eu recebia muito ali, mas por razões diversas e que me levaram&#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma parte pequena da minha vida foi no interior de São Paulo. Lá fiz amigos, vivi uma vida saudável, tive vários trabalhos e ia trabalhar de bicicleta.<br />
O lugar era perfeito, rodeado de natureza, verde, pássaros, alunos acolhedores, chefe incrível, colegas simpáticas, sonhos. Eu recebia muito ali, mas por razões diversas e que me levaram até ali, eu estava muito infeliz.<br />
Como era muito nova e insegura, eu não percebia as escolhas dos meus caminhos. Eu acreditava que eu não poderia escolher, fosse porque não era digna, fosse porque aprendi, ainda que inconscientemente, que mulheres não escolhem. Mulheres apenas seguem o caminho de quem tem poder de escolha. Mulher é lastro e homem, timão.<br />
Em meus passeios solitários pela natureza, adorava ouvir os sons que ela tocava, como uma orquestra. Muitas vezes andava sorrindo envolta por tanta beleza e, de repente, eu chorava, pois estava num paraíso e ainda assim era infeliz. Eu me perguntava o que eu estava fazendo com a minha vida?<br />
Eu não sabia o que queria, mas sabia que não estava feliz, e que, por mais medo que eu pudesse sentir por assumir certa verdade, em algum momento eu teria que aceitar que ali não era o meu lugar.<br />
Não pela natureza, que é sim meu espaço seguro neste planeta, mas por todo o resto, que destoava da minha alma, da minha ideia de vida, de família, de respeito e principalmente, de autorrespeito.<br />
Entender tudo isso foi um processo difícil.. com muito mais dor imputada pela vida, rasteiras e a imposição da vida para o meu amadurecimento e o despertar do meu olhar generoso para comigo mesma, não me permitindo mais me desrespeitar.</p>
<p>Nestas caminhadas com lágrimas e dúvidas sobre o caminho que seguia, escolhendo sem ter escolhido, a natureza me dava elementos para sorrir e entender alguns ciclos.</p>
<p>Sempre que via um tico-tico pequeno, alimentando um chupim, duas vezes o seu tamanho, como se fosse seu filhote, eu sorria com certo sarcasmo, ao associar este mesmo perfil com os humanos aproveitadores, narcisistas, se aproveitando de outros de boa índole e ingênuos, sem que estes percebam os abusadores, assim como o tico-tico não percebe que o chupim, uma ave parasita, deixou o ovo dele para o tico-tico chocar e criar.</p>
<p>Mas o que mais me dava alegria nestes passeios era o encontro com um tiziu, que tem este nome por causa do som que ele faz. Não sei se você já viu um tiziu na sua frente, mas entre seus tiziu, tiziu, tiziu, de repente ele dá um salto, uma cambalhota, um mergulho e volta para o mesmo lugar que partiu.</p>
<p>Cada tiziu que pude ver naquela época adoçou meus momentos vazios, incertos, subalternos e tristes. Ainda que eu estivesse chorando, ver um tiziu me fazia sorrir e esquecer toda dor. Eles eram os seres mágicos da minha floresta desencantada. Parecia que sabiam quando eu precisava sorrir e escapar das teias pegajosas de tantas incertezas e erros.<br />
Tiziu, cambalhota, tiziu, tiziu, tiziu, cambalhota… e eu sorria e me perdia nas cambalhotas e no som que me chamava para fora da minha realidade prisioneira.</p>
<p>Eventualmente, mas não facilmente, deixei de ser lastro de navio alheio. Sobrevivendo a alguns afogamentos e depois ficando à deriva por um bom tempo, me afastei da convivência com a natureza, pois voltei para a cidade de pedra, sem seres mágicos ou tizius para me adoçarem a vida mais equilibrada.</p>
<p>Estes dia, passeando por outra cidade do interior, ele me chamou:<br />
&#8211; Tiziu! tiziu! tiziu!<br />
Corri com meu celular para registrar esse mago, mas não vi cambalhotas e duvidei ter o mesmo encanto que recebia dele. Quando estava quase me virando, ele saltou majestoso e meu chamou de novo. Sorri e chorei, desta vez de emoção…. Você, pequenino, sabe me emocionar e me levar para longe de toda angústia, dor, perda e tristeza.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Eu queria poder fazer minha morada perto de você!</p>
<p>Voltei refeita na alma, na esperança de viver em comunhão com a natureza, enquanto estou em comunhão comigo mesma, certa de compreender que dar adeus tem dois significados. O primeiro é quando é o melhor para quem parte, e assim foi com meu pai. O segundo é quando é o melhor para nós, e assim vou aprendendo a deixar pesos desnecessários pelo caminho, pesos que não me pertencem ou que me seguram e me amarram.</p>
<p>Sigo ouvindo a voz do tiziu e me permitindo saltar e cambalhotar com graça, leveza e autorrespeito.<br />
Obrigada tiziu, por existir e por me fazer sorrir. Obrigada por me guiar e por ter voltado para mim de forma mágica, quando eu tanto precisava.<br />
Estava com muita saudade de você!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>E se?</title>
		<link>https://www.helenadeluca.art.br/e-se/</link>
					<comments>https://www.helenadeluca.art.br/e-se/#_comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[nefproducoes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jan 2025 16:59:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.helenadeluca.art.br/?p=271</guid>

					<description><![CDATA[Paul Cézanne nasceu em 1839. Queria ser pintor e estudou arte contra a vontade de seu pai. Por um tempo estudou direito para obedecer ao pai. Mas ele queria ser pintor! Foi recusado na Escola de Belas Artes de Paris e duas vezes no Salão Oficial de Paris, que expunha os quadros dos grandes artistas&#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Paul Cézanne nasceu em 1839. Queria ser pintor e estudou arte contra a vontade de seu pai. Por um tempo estudou direito para obedecer ao pai. Mas ele queria ser pintor!<br />
Foi recusado na Escola de Belas Artes de Paris e duas vezes no Salão Oficial de Paris, que expunha os quadros dos grandes artistas da época.<br />
Frequentou o grupo dos Impressionistas e tinha em comum com eles a rejeição aos padrões acadêmicos da época.<br />
Foi rejeitado e hostilizado pelo público de Paris e seu trabalho começou largamente a ser reconhecido após a sua morte. Hoje em dia ele é considerado um dos maiores pintores modernos do mundo. Ele influenciou outros artistas que vieram depois dele e todo o desenvolvimento da arte moderna.</p>
<p>Muitos artistas partem antes de serem reconhecidos como grandes artistas.<br />
O auto reconhecimento existe na alma e no desejo de produzir arte. Mas há muito suor também na jornada.<br />
O reconhecimento é parte da expectativa do artista, não apenas por vaidade, mas porque a arte só se completa quando alcança o público e mais ainda quando toca e sensibiliza alguém. Aí acontece o choque energético que devolve satisfação para o artista.</p>
<p>Mas nem só de reconhecimento vive o artista.<br />
Para qualquer um, em qualquer profissão, existe a necessidade de ser remunerado pelo trabalho.<br />
Justo, não? Todo mundo investe anos em estudo, formação, experiência… e todo mundo precisa sobreviver e pagar contas…</p>
<p>Ainda que um artista seja suportado por alguém da família (como Cézanne foi) ou que ele tenha outras formas de sobrevivência, como fica a autoestima? Como não se sentir humilhado? Como não se sentir um peso? (Van Gogh que o diga…) como não questionar sua própria arte, suas habilidades e sua dedicação? Como vencer as angústias que perturbam a própria criação?</p>
<p>E se, em todos os âmbitos, todo artista pudesse, se quisesse, apenas fazer arte?</p>
<p>E se?</p>
<p><em>Imagem: Estudo em aquarela sobre imagem do Moulin Rouge &#8211; Paris / Helena DeLuca &#8211; Março 2024</em></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.helenadeluca.art.br/e-se/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cadeiras e Liberdade</title>
		<link>https://www.helenadeluca.art.br/cadeiras-e-liberdade/</link>
					<comments>https://www.helenadeluca.art.br/cadeiras-e-liberdade/#_comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[nefproducoes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jan 2025 16:57:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.helenadeluca.art.br/?p=267</guid>

					<description><![CDATA[Certa vez vi uma documentário sobre Cuba. Sem querer valorizar a falta de liberdade ou romantizar o sofrimento das vítimas desta ditadura, das consequências e da pobreza presente ali, eu vi algo que me trouxe certa paz, mas que não justificaria de forma alguma a ditadura e a privação de um povo oprimido. As pessoas&#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Certa vez vi uma documentário sobre Cuba. Sem querer valorizar a falta de liberdade ou romantizar o sofrimento das vítimas desta ditadura, das consequências e da pobreza presente ali, eu vi algo que me trouxe certa paz, mas que não justificaria de forma alguma a ditadura e a privação de um povo oprimido. As pessoas conversavam na calçada, sentadas em cadeiras em rodas de família, vizinhos e amigos. Claro que a falta de tecnologia colaborava muito para esse comportamento.</p>
<p>Quando criança podíamos brincar na rua. Andar de bicicleta, correr, pedalar um triciclo pela calçada, enquanto minha avó se sentava em uma cadeira na calçada, nos observando e garantindo nossa segurança. Seus medos estavam ligados à descida da rua que nos embalava e poderia causar quedas se não controlássemos a velocidade e aos eventuais veículos que passavam na rua. Mas nunca à nossa segurança em relação a algum tipo de violência.</p>
<p>Mesmo durante a adolescência, nas férias numa casa de praia, me lembro de colocar as cadeiras de praia de frente para o portão vazado para todas as meninas da rua enquanto os meninos ficavam do lado de fora em cadeiras também, conversando conosco durante a madrugada, sem medo de nenhuma violência externa.</p>
<p>Quantos anos novos passei na praia, de pele ardida e alma tranquila, junto da família e de muitos amigos, pulando sete ondinhas, dando o primeiro mergulho do ano e algumas vezes, com sorte, esperando a maravilhosa lua cheia nascer no mar e no amanhecer o sol, para só então ir para casa maravilhada, feliz, em comunhão com a natureza e repleta de esperança com o novo ciclo.</p>
<p>Na vida adulta comecei a percorrer outros caminhos, que me desviaram deste hábito jovial e familiar. Quando, enfim, eu voltei, o mundo era outro e esse cenário se tornou perigoso.</p>
<p>Viver se tornou perigoso!</p>
<p>Quando meu filho era pequeno estivemos em Balneário Camboriú e pude ver algumas pessoas nas cadeiras de praia, na calçada, após determinado horário. Claro que ninguém tinha um celular na mão ou no bolso. Apenas uma cuia com chimarrão ou quiçá tererê. De frente para a avenida beira-mar, as pessoas curtiam o movimento, a brisa, a conversa. Me lembrei do documentário de Cuba e achei inusitado que nos anos dois mil e dezessete ainda existissem lugares onde era possível se sentar placidamente na calçada e apenas desfrutar a vida, sem medo.</p>
<p>Mas no começo deste ano de dois mil e vinte e cinco me surpreendi. Em Santo André tem uma rua que sempre me pareceu e me trouxe uma ambiência de interior, pelo comércio pequeno onde as pessoas se conhecem e não parecem tão apressadas ou desconectadas quanto as que normalmente vivem numa cidade industrial.</p>
<p>Passando pela rua, no final de uma tarde quente de janeiro, vi um casal sentado na calçada com suas cadeiras de praia, enquanto algumas crianças brincavam e corriam na calçada.</p>
<p>Meu primeiro impacto foi temer por eles. Chamei-os de corajosos em meu pensamento. Em seguida senti uma esperança, como se, porque algumas pessoas tinham coragem de estar na calçada sem medo de uma violência, um assalto, era porque, talvez, a vida pudesse novamente encontrar um caminho de liberdade e equilíbrio.</p>
<p>Então percebi que meu sentimento veio do fato que me sinto prisioneira muitas vezes. E mais do que isso, me sinto impotente!<br />
Sair de casa pode ser uma atividade arriscada muitas vezes. E outras vezes o risco é tão grande que nem precisamos sair, ele mesmo entra nos nossos carros e nas nossas casas.</p>
<p>E voltei a pensar em Cuba… eles eram livres na calçada, mas não muito além dela…</p>
<p>A liberdade é uma das maiores maravilhas que temos na nossa existência. E ela pode ser tirada de tantas formas:<br />
Uma cidade violenta que não vai direto ao ponto para cuidar da segurança ou bem estar; uma relação que consegue envolver tão ardilosamente enquanto abafa e molda uma personalidade a seu bel prazer; a falta de dignidade principalmente quando não há recursos mínimos (e o que seria mínimo sem considerar a possibilidade além do necessário para sobreviver?); ser vítima de qualquer tipo de preconceito (racismo, capacitismo, homofobia, etc) e ter o seu direito negado por alguém que apenas se sente superior, mesmo sem ser, e bebe na mesma fonte que um dia Hitler bebeu; não poder ir além porque, violentamente, alguém determinou o tamanho dos seus passos e do seu país e que levará, mais cedo ou mais tarde, a problemas econômicos; a indignidade quando uma sociedade não dá oportunidades para todos…</p>
<p>Você teria coragem de colocar a sua cadeira na sua calçada e ficar ali tranquilamente, vendo o cair da tarde e curtindo a brisa da noite, conversando com os vizinhos, sem medo de violência e sem o aprisionamento da tecnologia (maravilhosa, mas perniciosa também) e sem se sentir pressionado a fazer qualquer outra coisa além de apreciar a vida?</p>
<p>Uma cadeira na calçada é tão somente uma cadeira na calçada, exceto quando ela representa liberdade e tranquilidade perdidas de uma sociedade.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.helenadeluca.art.br/cadeiras-e-liberdade/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ditaduras e Janelas</title>
		<link>https://www.helenadeluca.art.br/ditaduras-e-janelas/</link>
					<comments>https://www.helenadeluca.art.br/ditaduras-e-janelas/#_comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[nefproducoes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jan 2025 16:55:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.helenadeluca.art.br/?p=262</guid>

					<description><![CDATA[Vivi a ditadura quando criança e mocinha. Não sofri impactos diretos, como a família Rubens Paiva, mas vivíamos com medo. Meu pai não me deixava ouvir Chico Buarque no volume que todo jovem sem fone de ouvido gostava de ouvir. Vinha sempre uma bronca por ser feliz, dançar e cantar livremente, assim como fazem no&#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Vivi a ditadura quando criança e mocinha. Não sofri impactos diretos, como a família Rubens Paiva, mas vivíamos com medo. Meu pai não me deixava ouvir Chico Buarque no volume que todo jovem sem fone de ouvido gostava de ouvir. Vinha sempre uma bronca por ser feliz, dançar e cantar livremente, assim como fazem no filme “Ainda Estou Aqui” as filhas de Rubens e Eunice, cantando « Je t’aime moi non plus ».</p>
<p>Ainda escuto a voz, momentaneamente ríspida e grave, do meu pai:</p>
<p>&#8211; Abaixa esse som! Já falei que você não pode ouvir essa música nesse volume.</p>
<p>Enquanto falava ia para a janela observar se alguém havia testemunhado que na casa dele éramos todos admiradores da obra de um « subversivo » (termo que escutei muitas vezes quando algumas pessoas descreviam o Chico) e por isso culpados.<br />
Meu pai fechava a janela, enclausurando o som, meu ar, minha liberdade, sem que de fato eu entendesse qual era o pecado ou crime de escutar tais músicas, e sem perceber que eu não era a única que me sentia sufocada, pois, na verdade, nossa liberdade estava enclausurada, ainda que com as janelas escancaradas.</p>
<p>« Não pode » era a frase que eu mais ouvia nos anos 70.</p>
<p>Não poder fazer algo numa democracia, é garantir o direito e respeito de todos.<br />
Não poder fazer algo em qualquer ditadura, ou regime cujas leis beneficiam apenas uma parte, significa obedecer o direito de parte, deixando a maioria sem direito e sem respeito, o que vai absolutamente contra a proposta da democracia e do bem comum.</p>
<p>Há de haver algum distúrbio grave em quem é capaz de deliberadamente fazer mal, matar, torturar, castrar e resolver que pode tirar o direito de ser livre de seu próximo. Mas, mais preocupante, a meu ver, são as pessoas que seguem e suportam extremistas. Primeiro porque uma andorinha só não faz verão, então um desequilibrado sozinho é só um desequilibrado. Segundo porque, ou os seguidores sofrem de distúrbios graves também, o que seria um diagnóstico real para uma sociedade doente, ou, pior ainda, são pessoas sem questionamentos que são facilmente manipuladas e envolvidas em discursos calorosos desequilibrados, e uma vez envolvidos pelos discursos, elevam um desequilibrado a um ditador.</p>
<p>Reviver, ainda que no cinema, uma versão incomparavelmente mais terrível da ditadura do que a vivida por mim e pelos meus, me fez mal. Ser realisticamente lembrada o quanto a nossa liberdade pode ser tirada, num piscar de olhos, por qualquer poder desequilibrado, que tira mesmo o estado de direito, me deixou frágil. Sofrer esse nível de bullying com submissão compulsória é inimaginável.</p>
<p>Então, respirei aliviada ao pensar que isso é passado e que ninguém com uma boa memória ou com uma boa ferramenta artística, que registra uma época e não nos deixa esquecer as atrocidades desta época ou mesmo dos autores, permitiria que retrocedêssemos a um nível tão baixo.</p>
<p>Em seguida, penso mais um pouco e vejo que não somos totalmente livres pois somos vítimas constantes de outro tipo de violência nesse país: preconceito, discriminação, racismo, homofobia, capacitismo, insegurança, roubos, desemprego, pobreza, corrupção… e a lista é grande!</p>
<p>Penso além: Venezuela, Rússia, Ucrânia, Síria, Gaza, EUA…e onde meu pensamento parou foi no Afeganistão.<br />
Minha janela fechada na ditadura me sufocava. Eu nunca pensei como seria se eu nem pudesse ter janela…<br />
Por vezes parece surreal que na atualidade ainda exista esse nível de violência, de abuso de poder, de castração.<br />
Só almas muito doentes e inseguras podem ser tão castradoras!</p>
<p>E mais surreal ainda é não poder parar o bullying sem começar um conflito maior, que pode levar a mais agressões, mortes, dores e guerras.<br />
O que nos livra de sermos bullys também, pois sabemos das atrocidades e não fazemos nada relevante?<br />
Somos tão impotentes assim? Ou será só covardia?</p>
<p>Será que quando estávamos tendo nossa liberdade roubada, com pessoas entrando em nossas casas, sem convite, mas no “direito” de invadir e levar as pessoas embora, torturar, e escolher matar ou devolver quebrada para o mundo, não esperávamos um milagre também?</p>
<p>Ao acordar costumo pedir luz e paz para a humanidade. Acabo pensando nessas mulheres do Afeganistão, pedindo por elas, e sonho de olhos abertos com a arte do futuro (espero próximo) que irá contar como era absurda a vida por lá nesse período sem luz, para que nunca ninguém esqueça como o poder extremista (de qualquer lado ou origem) é nocivo.</p>
<p>Exalto a arte e o poder que a arte tem de paralisar o tempo contando sua história, sem filtros, e de manter as mentes abertas ao mostrar sociedades e crenças tóxicas.<br />
Exalto as pessoas que ainda escolhem a arte, as imagens e as palavras como complemento do movimento íntimo e como instrumento de luta sem violência.<br />
Exalto as mulheres, principalmente as que precisam de muita força e coragem para sobreviver mesmo sendo cobertas, trancadas, arrancadas e apagadas da sociedade, apenas para não brilhar mais do que seus próprios carrascos!</p>
<p>Só viveremos num mundo mais equilibrado quando o caráter for guiado pela moral e respeito a tudo que nos cerca. Respeito ao próximo, à natureza e à vida.<br />
Enquanto houver desrespeito, haverá sofrimento e a vida seguirá em desequilíbrio. O que podemos fazer para mudar essa situação?</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.helenadeluca.art.br/ditaduras-e-janelas/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Vozes</title>
		<link>https://www.helenadeluca.art.br/vozes/</link>
					<comments>https://www.helenadeluca.art.br/vozes/#_comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[nefproducoes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Apr 2024 16:55:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.helenadeluca.art.br/?p=265</guid>

					<description><![CDATA[Você é o tipo de pessoa que abaixa o volume das vozes externas e se escuta? Quanto cada um tem de força interior e de capacidade de movimentar a própria vida? Por que será que é tão mais fácil ouvir e acreditar na voz interna (e às vezes na externa também) que desencoraja, que diminui,&#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Você é o tipo de pessoa que abaixa o volume das vozes externas e se escuta?</p>
<p>Quanto cada um tem de força interior e de capacidade de movimentar a própria vida?</p>
<p>Por que será que é tão mais fácil ouvir e acreditar na voz interna (e às vezes na externa também) que desencoraja, que diminui, que critica, que desvaloriza?<br />
E não é apenas sobre ouvir, mas, como diz meu filho, também é sobre deixá-la começar disfarçada de autopreservação (protegendo dos medos e inseguranças, por exemplo), e depois se transformar em autodepreciação, ocupando tanto espaço que abafa toda luz interior e sufoca…</p>
<p>A voz positiva, que encoraja, que fortalece, que permite realizar sonhos como Paris, não é tão evidente e só vai aparece ao sumir a neblina da negatividade.</p>
<p>E se pudéssemos apenas fechar os olhos e enxergar, mesmo sem ver, um vento soprar e dissipar essa neblina, a poluição e o ar pesado, difícil de respirar? E se pudéssemos ver o sol brilhar, o ar puro e leve entrando profundo e limpando o corpo, os órgãos e a mente?</p>
<p>Então, em equilíbrio, dar espaço ou dar ouvidos à voz forte, alta, firme, certa, corajosa, favorável, positiva, amiga, generosa… que todo mundo tem guardado lá no fundo, dando espaço para a esperança, a construção de coisas boas e a realização de sonhos, porque você se permitiu e parou de achar que não era merecedor..</p>
<p>Não é fácil trocar de voz interior.<br />
Não existe um botão de liga/desliga para escolhermos.<br />
Mas não é impossível conseguir.</p>
<p>Um passo por vez, um dia por vez, uma boa respiração por vez, uma frase por vez, um bom pensamento por vez, uma decisão por vez.</p>
<p>Não há um único caminho certo, mas não desistir é, com certeza, a regra mais importante. Nem sempre a caminhada será só para frente e está tudo bem, porque sempre tem o amanhã para conseguir ir em frente outra vez.</p>
<p>Experimente respirar, fundo; honrar todos os antepassados; ser fiel à sua essência, cumprir as suas próprias expectativas,  se autoconhecer, se autorrespeitar, se aceitar completamente como você é; parar de querer agradar os outros e de se importar com o que pensam de você; parar de ser o responsável por resolver problemas que não são seus; se libertar de crenças limitantes, mágoas e da necessidade de cobrar alguém para que você sinta orgulho. Quebre essas e outras barreiras que te amarram!</p>
<p>Todo dia é dia de decidir se ouvir, decidir se agradar, decidir se respeitar e decidir aumentar o volume da melhor voz para calar qualquer outro som abusador. Todo dia é dia de acordar, olhar no espelho com um sorriso nos olhos e se perguntar:  &#8211; O que eu posso fazer por você hoje, para agradar você, que é a pessoa mais importante da minha vida?</p>
<p>Somos responsáveis pelos resultados que queremos em nós, com toda a abundância que desejamos e merecemos.</p>
<p>Não é incomum colocarmos a responsabilidade de nos fazer sorrir, de nos completar, nas ações das outras pessoas, assim como é comum nos sentirmos responsáveis pela alegria daqueles que amamos, criando cobranças e expectativas que podem trazer ressentimentos para os relacionamentos.</p>
<p>Porém,  é preciso que exista troca e colaboração com equilíbrio nos grupos que pertencemos,  com honestidade e respeito mútuos, mas sem heróis, salvadores ou abusadores e interesseiros.</p>
<p>A vida fica mais leve e saudável quando deixamos a nossa melhor voz nos guiar, e os relacionamentos mais honestos.</p>
<p>O que você tem feito todo dia para deixar a sua melhor voz falar com você?</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.helenadeluca.art.br/vozes/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Amar &#8211; ação</title>
		<link>https://www.helenadeluca.art.br/amar-acao/</link>
					<comments>https://www.helenadeluca.art.br/amar-acao/#_comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[nefproducoes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Apr 2024 17:01:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.helenadeluca.art.br/?p=277</guid>

					<description><![CDATA[O poeta Vinícius de Moraes poetizou: “… Assim como uma nuvem só acontece se chover, Assim como o poeta só é grande se sofrer…” Será que, de fato, os artistas, quando encontram a dor, a transformam em arte, como ostras reagindo e fazendo pérolas? E então crescem como poetas? Ou será que essa ideia em&#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O poeta Vinícius de Moraes poetizou:<br />
“… Assim como uma nuvem só acontece se chover,<br />
Assim como o poeta só é grande se sofrer…”</p>
<p>Será que, de fato, os artistas, quando encontram a dor, a transformam em arte, como ostras reagindo e fazendo pérolas? E então crescem como poetas? Ou será que essa ideia em si é pura poesia apenas?</p>
<p>Quando escrevi minha primeira poesia depois de adulta, eu estava num lugar dolorido e desconfortável. O teclado, os sons, as ideias e as palavras foram minha terapia. E também minha ignição para aceitar e liberar minha alma artística.</p>
<p>Me lembro que, após ler meu texto, meu irmão disse que era nos períodos mais doloridos dos artistas que nasciam as grandes obras. E para mim minha obra foi grande, porque ela foi a primeira de um novo ciclo e porque nunca ficou desatualizada.</p>
<p>Eu acredito que na dor criamos coisas profundas, que alcançam quem se identifica. Mas eu também acredito que as alegrias são fontes puras de inspiração de coisas belas e que espalham boas vibrações num mundo carente de amor.</p>
<p>Sim, eu falo de dor, eu falo de morte, eu falo da mulher oprimida, eu falo de autismo e minorias, eu falo de dança, música, cinema, aquarela… eu tenho muitos assuntos e muitos sentimentos para me inspirarem.<br />
Mas minha temática favorita é o amor. Não apenas o amor romântico, mas o amor como elemento quase mágico, que é oxigênio, que nos torna seres melhores, que torna o mundo um lugar melhor!</p>
<p>Vinicius complementou na mesma obra:<br />
“… Assim como viver<br />
Sem ter amor, não é viver…”</p>
<p>AMOR é tudo o que eu quero respirar, expirar, exalar, absorver, transpirar, transcender, doar…<br />
E é exatamente, e tão fortemente, o que o mundo atual mais precisa!</p>
<p>Estamos carentes de amor!</p>
<p>Vamos amar mais?</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.helenadeluca.art.br/amar-acao/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Artista, brasileira e guerreira </title>
		<link>https://www.helenadeluca.art.br/artista-brasileira-e-guerreira/</link>
					<comments>https://www.helenadeluca.art.br/artista-brasileira-e-guerreira/#_comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[nefproducoes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Mar 2024 17:00:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.helenadeluca.art.br/?p=274</guid>

					<description><![CDATA[Timothée Chalamet confessou em uma entrevista que se sentiu realmente um ator quando ele começou a poder pagar seu aluguel com seu salário (segundo o canal francês Brut). Será que o retorno financeiro é uma questão de validação para todo mundo, em qualquer profissão? Ou será que é uma angústia mais presente na vida dos&#8230;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Timothée Chalamet confessou em uma entrevista que se sentiu realmente um ator quando ele começou a poder pagar seu aluguel com seu salário (segundo o canal francês Brut).</p>
<p>Será que o retorno financeiro é uma questão de validação para todo mundo, em qualquer profissão? Ou será que é uma angústia mais presente na vida dos artistas?</p>
<p>Por muitas gerações observo que, sempre pensando no bem e no não sofrimento futuro dos filhos, muitos pais estimulam seus filhos de alma artística a seguirem um profissão “monetariamente rentável”, paralelamente ou não, ao movimento artístico natural.<br />
Desde cedo plantando no inconsciente ideias de insegurança, como a necessidade de ter uma “carta na manga” quando tudo der errado.</p>
<p>E não são apenas os pais… Há um pré-julgamento da sociedade para com o artista, principalmente no Brasil, onde não temos estruturas que valorizem e acolham os artistas.</p>
<p>Quando o pior cenário é plantado dentro das pessoas, alguns irão insistir à despeito de tudo, outros irão vacilar e outros irão buscar uma caminho mais seguro e segui na arte apenas como um hobby. O resultado será sempre uma incógnita.</p>
<p>Eu cheguei num momento da minha vida de buscar autoconhecimento e me libertar de tudo que não me serve mais.<br />
O que encontro quando olho para dentro de mim é muita castração (e autocastração) quanto ao que eu poderia ter sido (se tivesse tido ferramentas) e o que sobra de tempo para o que ainda posso ser (agora que tenho ferramentas).</p>
<p>Eu encontro em mim mesma uma mãe super leoa, absolutamente apaixonada por meu filho, defensora dele e de toda minoria, que de alguma forma está abrindo caminho neste mundo ainda cheio de maus conceitos.</p>
<p>Mas isso é só uma parte de mim. A mais linda, eu acho, pois eu sou uma pessoa melhor por causa dele. Não por causa de seu diagnóstico de TEA, mas por causa de sua alma incrível, de sua personalidade única e de sua doçura.<br />
Só que, de repente, ele cresceu e, apesar de manter a minha voz alta, ele não precisa tanto mais dos meus dentes. Ele tem voz e ele tem dentes, agora ele sabe se defender!</p>
<p>Isso abriu espaço para me olhar além da maternidade (atípica). E quando olho no espelho é com minha alma artística que me deparo. Já fui bailarina clássica, fiz sapateado e dança flamenca, fui fotógrafa, atriz e rabiscava meus poemas desde menina, . Tudo isso ainda se encontra dentro mim, mesmo que de forma latente. Agora sou escritora, poeta, letrista, ilustradora, estudante de canto e aquarela&#8230; Ass palavras me encantam tanto quanto as imagens, as cores, os sons e os movimentos.</p>
<p>Sou artista, brasileira e guerreira, pois sigo adiante a despeito de todos os obstáculos, respeitando quem eu sou!</p>
<p>E, como uma criança, me empolgo com toda oportunidade de fazer arte, de criar, de me sentir tão livre quanto o vento, de me libertar de todas as amarras, pré-julgamentos e pré-conceitos.<br />
Para não perder a minha essência e manter essa energia que faz com que eu me sinta viva, iluminada, não canso de estudar e aprender, e ouso me transformar, me aceitar, a despeito dos julgamentos, das nuvens negras que trazem a chuva do fracasso certo e da vida miserável para o artista.</p>
<p>Miséria e sucesso existe em qualquer profissão!<br />
Cobrança, autocobrança e medo do fracasso (ou do sucesso) também!</p>
<p>Já deixei os meus pesos pelo caminho.<br />
Agora, sou eu mesma meu ar rarefeito.</p>
<p><em>Imagem: Terceiro estudo monocromático em aquarela &#8211; Helena DeLuca 18 Março 2024</em></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.helenadeluca.art.br/artista-brasileira-e-guerreira/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
